Muita gente chega a Curitiba com um roteiro engessado na cabeça: tirar a clássica foto na estufa do Jardim Botânico, comer um rodízio de massas em Santa Felicidade e, quem sabe, embarcar no trem para Morretes no dia seguinte. O problema dessa abordagem é que ela ignora a alma urbana e cosmopolita que a cidade desenvolveu nas últimas décadas. Frequentemente, o turista se sente como um observador de cartões-postais, sem mergulhar no que realmente faz a capital paranaense pulsar.
É aqui que o Museu Oscar Niemeyer, carinhosamente apelidado de “MON” ou “Olho”, deixa de ser apenas uma obra arquitetônica para se tornar o ponto de virada da experiência de quem nos visita. Se você já parou diante daquela estrutura de 30 metros de altura que parece flutuar sobre um espelho d’água, sabe do que estou falando. Há um estranhamento magnético ali. O MON não é apenas um prédio; é uma declaração de intenções. Antes da sua inauguração, em 2002, o eixo artístico do Brasil parecia restrito ao binômio Rio-São Paulo. Curitiba era vista como a cidade do urbanismo funcional, do ônibus biarticulado e do frio constante.
O “Olho” rompeu essa lógica. Ao planejar sua visita, o erro mais comum é tratar o MON como uma parada de 15 minutos para uma selfie externa. Para entender como ele reposicionou o Sul no mapa das artes, você precisa atravessar o túnel futurista que liga o prédio principal (o antigo Edifício Castelo Branco) à torre do Olho. É uma experiência sensorial. A luz ali dentro é trabalhada de forma a destacar as curvas de concreto que são a assinatura de Niemeyer, criando um contraste quase poético com o céu, muitas vezes cinzento, da nossa capital. https://www.julytur.com.br/passeios/tags/passeio-em-morretes–trem